Quanta gente me pergunta: Qual é o chaveco? Qual é a fórmula da paquera? E eu nunca respondo a essa pergunta diretamente porque a resposta não é tão óbvia assim. Sempre podemos aprender algo mais sobre a arte da paquera. E uma forma de fazer isso é observar o jeito que os outros atuam na conquista. Somente "entrando na fogueira" é que você vai se aprimorar na sua própria forma de paquerar.
Outra questão que me apresentam muito é: "mas a paquera pode ser aprendida? Cada um não tem o seu jeito natural de paquerar?" Antes fosse assim. O problema é que a maior parte das pessoas está bem longe da naturalidade. Estão travadas, bloqueadas.
Então há que se fazer um trabalho para que você volte ao seu estado natural, que foi tremendamente deformado pela sua formação, pela família, pela sociedade. A espontaneidade é o estado original de nós mesmos, mas durante a vida vamos passando por situações humilhantes, inseguranças, medo do ridículo, medo de ser rejeitado, medo do desconhecido.
Isso tudo vai fazendo com que a gente se encolha. Sentimos uma coisa e manifestamos outra. Aí dá tudo errado. Uma paquera sem espontaneidade não pode dar certo. Você ensaia o que vai falar. Fica artificial.
O primeiro sinal de que uma pessoa não está à vontade é o seu corpo. Uma pessoa com excesso de autocrítica anda meio esquisita, se move de uma forma dura, estranha. O seu gestual denuncia, a todo momento, que ela não esta à vontade: os braços, as mãos, o que fazer com eles? Quando abre a boca, então, fica evidente. O movimento dos lábios é tenso. A boca entorta toda. Quem não conhece aquele sorriso típico de quem não está com nenhuma vontade de sorrir?
Alguém que está se sentindo fechado para um novo contato, cruza os braços, fecha a cara, franze a testa, mostrando seriedade. Abaixa a cabeça, não olha para frente, fica para dentro. E como é difícil chegar numa pessoa como essa! Só se for com talhadeira! São muitas as máscaras corporais que podemos adotar quando não estamos espontâneos.
Os tímidos são craques nisso. Nem sempre eles adotam a famosa postura do tímido: cabisbaixo, pés voltados para dentro, ombros erguidos, receio de olhar para a outra pessoa. Com este jeito é fácil a gente identificar o tímido. Mas nem sempre ele é tão claro. Para se defender, o tímido muitas vezes se arma com uma postura que poderia ser identificada como de uma pessoa orgulhosa. Então, para quem está querendo paquerar uma pessoa dessa vai parecer que ela é esnobe, é orgulhosa. E no fundo, sabemos que não é nada disso.
Veja só: quantas formas de estarmos afastados de nossa espontaneidade! Quantas vezes você não esteve louco para falar com alguém do seu interesse e nunca falou. Ficou frustrado por isso. Ou, quantas vezes você começou a falar e sentiu-se totalmente inconveniente nas suas palavras. Como fazer então para sair disso? Como fazer para voltar a ser uma pessoa espontânea e natural?
O trabalho nem sempre é fácil. Voltar a ser natural e espontâneo exige que você se envolva muito no processo, muitas vezes precisando até da ajuda de um profissional. Há que se rever a sua história, há que se rever as crenças a respeito de si mesmo. Além disso é preciso trabalhar o corpo, soltando-o, desinibindo-o. Neste sentido as terapias corporais, a biodança, dança de salão, massagem, podem ser bastante úteis. Acredito que só o trabalho corporal ou só o trabalho de elaboração mental são insuficientes. Há que se trabalhar todo o conjunto de uma forma integrada.
Quando me chamam de 'professor de paquera' muitos acham que eu vou dar dicas, que eu vou ensinar como se faz. Mas eu prefiro deixar claro que o meu negócio é ajudar a pessoa a se destravar, a acreditar mais nelas mesmas, a ficarem mais espertas e acordadas para a paquera. Tudo está em voltar a ser espontâneo.
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dá um pitaco ae. e depois eu prometo q te mando ir à merda